Domingo, 11 de Abril de 2010

A Hera e os ciúmes

Segundo a mitologia grega, Hera (Juno, na mitologia romana) era a deusa da família e do ciúme.

Foi retratada como ciumenta e agressiva, odiando e perseguindo as amantes de Zeus e os filhos gerados desses relacionamentos.

A sua principal inimiga, claro, seria Afrodite (Vénus na mitologia romana), a deusa do amor e da beleza.

 

Hera e Zeus, em que Zeus lhe diz: "Vá não sejas assim...tu sabes que por mais mulheres que tenha serás sempre a nº1"

 

 

Análise desta personagem e o seu ciúme patológico segundo uma perspectiva psicológica evolucionista:

 

Segundo David Buss (Professor de Psicologia da Universidade do Texas, considerado um dos maiores nomes ligados à Psicologia evolucionista), o ciúme disfuncional é o lado negro da nossa adaptação para o ciúme. No entanto o ciúme "moderado" é considerado pelo autor algo que coincide com o amor, sendo que um não existe sem o outro. Neste sentido, Buss utiliza a analogia da dor física para descrever a utilidade do ciúme: obviamente sentimos a dor como algo aversivo, mas reconhecemos a sua função prática.

 

Ok, sim concordo que o ciúme moderado é o ideal a manter numa relação, mas não sei até que ponto concordo com a visão preto no branco do autor em que não existe amor sem ciúme... Poderá ser discutível, não sei.

 

 

O autor fala ainda do paradoxo do ciúme, sendo o ciúme um sinal de amor e que quando um parceiro não tem um comportamento ciumento, não estão de facto apaixonados. O paradoxo surge exactamente porque quando existe ciúme tal também pode levar à destruição de um relacionamento.

 

Mais uma vez penso que poderá não ser tanto "ou sim ou couves", mas de um ponto de vista não empírico, reconheço que enquanto mulheres por vezes o facto do nosso companheiro demonstrar algum tipo de ciúmes é um sinal de que está interessado, ou que continua interessado. Pode não ser com todas as mulheres, mas penso que é relativamente comum.

 

 

Buss (1992;1999) demonstrou que o comportamento ciumento é uma defesa contra a infidelidade e que utilizamos esse comportamento para proteger os nossos interesses de reprodução, que diferem entre homem e mulher. Muitos estudos demonstraram que homem e mulher são igualmente ciumentos mas as razões por detrás dos ciúmes, aí está a grande diferença: os homens ficam mais ciumentos com a suspeita de infidelidade sexual por parte da companheira, enquanto que as mulheres tendem a ficar mais ciumentas quando existe infidelidade emocional.

 

Concordo a 100% com estas conclusões empíricas...pelo menos é o feedback que ao longo do tempo tenho ouvido de mulheres e homens. Isto está em parte relacionado com a própria visão biológica da coisa. Para o macho o objectivo final será garantir a continuidade da sua espécie/genes e, ao existir infidelidade por parte da mulher, existirá sempre a probabilidade da sua continuidade deixar de estar assegurada. Neste sentido, a mulher saberá sempre que o filho que gerou lhe pertence, o mesmo não acontecendo com o homem se a criança tiver sido fruto de uma relação adúltera. Já por seu lado a fémea o que pretende em última instância é garantir um parceiro que lhe dê segurança a si e aos seus e ao existir infidelidade emocional existe um risco acrescido dessa segurança anteriormente garantida se desvaneça e o macho decida procurar outro paradeiro. Muito interessante esta lógica, parece-me. E eu até não sou muito das biologias mas há de facto algo aqui.

 

 

Um dos estudos mais conhecidos e interessantes realizados pelo autor, refere-se a uma experiência na qual um homem ou mulher é confrontado(a) com uma pessoa do sexo oposto atraente que lhe faz uma das três questões seguintes: 1) Gostarias de ter um encontro comigo?; 2) Gostarias de ir até à minha casa?; 3) Gostarias de ter sexo comigo? O resultado desta experiência foi claro: Os homens estão muito mais predispostos a aceitar terem relações sexuais com a pessoa estranha, quando inversamente, quase nenhuma mulher o demonstrou.

 

Há relativamente pouco tempo tive oportunidade de comprovar este estudo, não pelos comportamentos, mas ao questionar 4 sujeitos do sexo masculino se fossem abordados por uma mulher num bar a fazer tal proposta, o que fariam... e a resposta foi unânime: "Hell yeah! Isso é que se quer, qual perder tempo com joguinhos".


Achei interessante estas conclusões. Nada que de senso comum fosse difícil de adivinhar, mas com sustentação teórica é bem mais interessante.

 

 

Algum feedback/opiniões/ameaças que possam contribuir para a discussão/reflexão?

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publicado por Botas às 12:50
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No folclore europeu surgem recorrentemente umas botas mágicas que permitem a quem as use atravessar sete léguas de cada passo.

Nesta história, uma rapariga viaja de Portugal para Salzburgo, na Áustria, para iniciar a sua vida profissional. Calça assim um par de botas normais; a internet permite-lhe uma maior proximidade de casa.

São só 74 passos e meio de distância.

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